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A vida

 

     Começamos a vida supondo que podemos ter felicidade neste mundo e através dele. E a maioria das pessoas continua nessa crença até o fim. Tais pessoas nunca fazem uma pausa para meditar. Não observam que suas esperanças de felicidade não se realizaram. Como poderão considerar ainda a pergunta: por que essas esperanças têm sido infundadas? O que nos impede de parar e pensar é a crença de que estamos conseguindo - ou de que logo conseguiremos - da vida aquilo que queremos, felicidade. O que pode provavelmente abalar essa crença é a experiência do lado trágico da vida. Diz-nos o sábio Ramana Maharshi que este é o meio usado pela Natureza, e nos dá a analogia dos sonhos como prova. Quando sonhamos com coisas agradáveis não despertamos; mas acordamos tão logo apareçam visões desagradáveis.

     Buscamos a felicidade através de anos a fio. Já estivemos muitas vezes a ponto de consegui-la e fazê-la nossa para sempre. Mas todas às vezes fomos logrados. Entretanto, sem pararmos para pensar - como agora - simplesmente continuamos na mesma velha rota. Se agora pararmos e pensarmos, ocorrer-nos-á a idéia de que provavelmente partimos em busca da felicidade, sem termos uma compreensão adequada da sua verdadeira natureza e real origem.
     Primeiramente, examinemos a felicidade e descubramos o que ela é. O que queremos dizer por felicidade é algo constante - algo que viverá dentro de nós com todo seu frescor e pureza enquanto existirmos. O que o mundo nos tem oferecido não é nada disso, mas algo efêmero e inconstante, e o nome adequado é prazer. Felicidade e prazer são duas coisas inteiramente diferentes. No entanto, supomos que os prazeres são a própria essência da felicidade. Presumimos que se conseguirmos, diuturnamente, um constante fluxo de prazeres, teremos nos assegurado felicidade.
     Mas é próprio da natureza do prazer ser inconstante; pois ele é apenas nossa reação ao impacto das coisas exteriores. Os Sábios nos advertem sobre que o prazer real não advém de coisas materiais. Se o prazer que experimentamos na vida se originasse dessas coisas, deveria ser maior quando possuíssemos mais coisas; menos se as tivéssemos menos; e nulo quando nada tivéssemos. Mas não é bem assim. O rico que possui coisas em abundância, não é infalivelmente feliz; nem o pobre que muito pouco tem, é a rigor um infeliz.

     E no entanto todos se sentem sumamente felizes quando conseguem um sono profundo e sem sonhos. Para assegurar-nos o gozo de um sono imperturbável, suprimo-nos de todos os meios artificiais disponíveis - colchões e travesseiros macios, mosquiteiros, mantas ou refrigeração, e assim por diante. A insônia é considerada um terrível mal. Para combatê-la, os homens envenenam a própria fonte vital - o cérebro - com drogas mortíferas. Tudo isso mostra o quanto gostamos de dormir e gostamos porque no sono profundo somos felizes.
     Justifica-se assim nossa suspeita de que a verdadeira felicidade é - como muitos homens sábios já disseram - algo que pertence à nossa própria natureza interior. Os Sábios sempre ensinaram que o prazer não tem existência independente; não reside em objetos extensos e parece ser assim por mera coincidência. Deve-se o prazer a uma liberação de nossa própria felicidade natural, aprisionada nas profundezas de nosso ser.
     Tal liberação ocorre justamente quando, após uma busca um tanto penosa, obtemos o objeto desejado. Isso expulsa a idéia de sermos carentes e inadequados, que bloqueava o fluxo de nossa felicidade natural.
     O desejo nos diz todas ás vezes: "Consegue isto e serás feliz". Acreditamos piamente e saímos à procura. Somos infelizes porque desejamos, mas, na tentativa de obter, esquecemos a infelicidade. Se não conseguimos o que desejamos, sofremos, mas tampouco seremos felizes se o conquistarmos, porque o desejo nos mostra, então, uma outra coisa pela qual lutarmos, e assim não percebemos como o desejo nos engana todo o tempo. O fato é que o desejo é como um poço sem fundo que nunca se pode encher, ou igual ao fogo consumidor que, quanto mais alimentado, maior seu poder destrutivo.
     Mas sabendo que o desejo é nosso inimigo, não podemos expulsá-lo simplesmente pela nossa força de vontade? A resposta que a experiência nos oferece é "não". Podemos, como os estóicos, lutar com ele e conseguir vencê-lo durante algum tempo. Mas, a vitória não perdura e, finalmente, desistimos da luta.
     Com a mente desprevenida, perguntamos aos Sábios por que somos escravos do desejo, e eles nos respondem que tal acontece por não nos conhecemos corretamente - porque julgamos ser aquilo que não somos. Confundidos com o corpo e a mente, julgamos que suas limitações são as nossas. Os Sábios afirmam: “Tu és o Ser Ilimitado”, mas ao desconhecermos esse fato, nos julgamos inadequados e carentes, impedindo-nos de desfrutar de nossa natureza de felicidade imperturbável. Assim, o problema é a compreensão errônea de nós mesmos e a solução é o conhecimento correto.
     Chegamos, então, aos portais de nosso templo interior onde realizar a indagação psicológica, existencial e espiritual, sobre a nossa real natureza. Se formos sérios, seremos capazes de iniciar o imprescindível questionamento, sincero e profundo, buscando e atraindo a ajuda de algum Sábio, com cuja ajuda seremos capazes de descobrir a Verdade.
     As portas se abrem: Entraremos agora ou esperaremos até que a dor da próxima decepção nos traga de volta até esse mesmo lugar?

     -Who (Um discípulo anônimo de Ramana Maharshi)



Escrito por João Ricardo Correia às 15h03
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O QUE DIZEM OS MESTRES SOBRE MEDITAÇÃO

Paramahansa Yogananda:
-Senhor, não acho que esteja progredindo em minhas meditações. Nada vejo e nada ouço-, disse um estudante.
Paramahansa Yogananada respondeu-lhe:
“-Busque Deus por amor a Ele próprio. A percepção suprema é sentí-Lo como Bem-aventurança brotando de suas infinitas profundezas. Não anseie por visões, fenêmenos espirituais, nem por experiências emocionantes. O caminho para o Divino não é um circo”.

Buda:
“Não corras atrás do passado, nem busque pelo futuro; o passado se foi e o futuro ainda não veio. Observe, porém, com clareza, neste exato instante, aquilo que existe agora, e então você vai descobrir e vivenciar um estado de mente silencioso e imóvel”.

Sivananda:
“Se meditar meia hora, poderá enfrentar a batalha diária da vida com tranqüilidade e fortaleza espiritual. E isto o conseguirá, pela força da meditação, em apenas uma semana”.

Ramakrishna:
Se não houver meditação, difícil é desenvolver a chegada até Êle. “-O que você poderá ganhar flutuando na superfície? Mergulhe debaixo d’água. As pedras preciosas se encontram na profundeza das águas. Portanto, o que adianta nadar na superfície? Uma pedra preciosa verdadeira é pesada, não flutua, mas cai no fundo. Para conseguir a verdadeira jóia, você deve mergulhar profundamente”.

Krishnananda:
“As pessoas geralmente tentam afogar as suas preocupações em grandes ruído tais como o rádio, em agitados estímulos visuais como o cinema, e esperam encher o vazio de suas vidas com uma febril atividade, fazendo dinheiro, acumulando poder, aumentando a velocidade da vida, buscando a constante excitação dos sentidos. Por esses meios, nos tornamos estranhos a nós mesmos e vivemos uma vida digna de compaixão, uma agonia emocional e mental. Nenhum significado pode buscar-se na vida fugindo de si mesmo, mas voltando para o verdadeiro ser que está em cada um. Esta é a arte do autoconhecimento. Este é o caminho da meditação”.

Arnaud Desjardins:
“A perseverança na prática da meditação imóvel e da atenção interior conduzirá você, pouco a pouco, a um crescente domínio de seus estado emotivos e de seus pensamentos no decorrer do dia. Por outro lado, esgotar a fonte das agitações mentais inúteis, em virtude a uma crescente vigilância durante as atividades, fará cada vez mais fácil o mergulho profundo nos momentos de meditação”.

Sri Aurobindo:
“A penetração em uma consciência mais profunda ou mais elevada, ou que esta consciência mais elevada ou mais profunda desça até nós... esse é o êxito verdadeiro na meditação”.

Krishnamurti:
“Meditação não é fuga ao mundo; não é atividade egocêntrica, isolante, porém, antes, a compreensão do mundo e seus usos. Pouco tem o mundo para oferecer, além de alimento, roupa e morada, e do prazer com seu séquito de aflições. A meditação é um movimento para fora deste mundo; pois temos que ficar fora dele. Então, o mundo tem significação e é constante a beleza do céu e da terra. Então, o amor não é prazer. Daí nasce uma ação que não é resultado de tensão, de contradição, da busca de preenchimento, ou da arrogância do poder”.

Dayananda:
Meditação é somente você ser a pessoa que você é. Você é dotado de uma corpo, de sentidos e de uma mente que tem memórias, emoções e conhecimento, e é consciente de todos eles. Você é uma pessoa. Uma pessoa se torna uma personalidade por causa dos medos, ansiedades e muitos outros problemas. Raivas, invejas, inseguranças, tudo isso faz de uma pessoa uma personalidade. Tudo isto é criado por você mesmo. Na meditação você reduz todas as situações a simples fatos. Quando você aceita as situações, elas se tornam simples fatos para você. Quando rejeita as situações, você se torna uma personalidade. Quando apenas aprecia o mundo, você é somente você mesmo e o mundo é como ele é “.



Escrito por João Ricardo Correia às 14h52
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PENSAMENTO PARA O DIA 15/08/2006

     A devoção à terra natal é tão importante como a devoção a Deus. Quando a integridade e o patriotismo são desenvolvidos em uma pessoa, sua visão torna-se ampla e sua perspectiva torna-se equilibrada. A terra natal não é somente um lugar no mapa, ou uma extensão de terra, ou uma coleção de nomes; ela é verdadeiramente a Mãe que alimenta o corpo e a mente. Ela ensina a arte de progredir em direção ao objetivo supremo da vida, isto é, à auto-realização. Ela é, desse modo, a Encarnação da Deusa da Prosperidade (Lakshmi) e da Deusa do Conhecimento (Sarasvathi).

SATHYA SAI BABA

 



Escrito por João Ricardo Correia às 10h11
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